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junho 28, 2011

DISPAROS DE PALAVRAS SECAS SOBRE A PÓLVORA VULCÂNICA DA BOCA


by Kristin Linder


maltratámos as palavras com rugas
embrulhadas nas raízes
das nossas bocas
e o verso foi cedendo ao metal liquido da forja
entre o ventre do vulcão e o fogo.

nem os pardais da beira-costa
escaparam à sua pólvora:
afogaram o mar
esqueceram o olhar
e depuseram as asas aos pés de um sono antigo
como se a morte fosse a resposta
para todas as perguntas que não soubemos formular.

estremece-nos nos pés o rugido da lava
na composição do poema-mar.
ah, ao lixo as palavras mal-ditas
que as asas dos pássaros acordaram
[os olhos querem-se cegos na liberdade do vôo]
e a morte é o orgasmo da alma
na nova alvorada dos sentidos.

finas, metálicas, insidiosas:
para que servem as palavras
se há tão pouco a dizer?

by OutrosEncantos & JorgePimenta



Björk & Thom York, i'seen it all

junho 02, 2011

VIAGENS DE PERÍMETRO CURTO NAS LINHAS DA MÃO



disseste-me que a eternidade
é de papel
com caracteres pequenos,
como as tuas mãos,
impressa a tinta
e leves rasuras,
tecido frágil após a queda
e bicicleta que se desprendeu da curva

viajo
nas ruas redondas de ti
onde me refaço
e amanheço
ou me perco e enlouqueço
e me despedaço,
no adormecer de cada tarde
vazia de ti

disseste-me que a felicidade
se escreve com os teus dedos
e se lê pelos meus olhos
enquanto centenas de pessoas
que perderam o rosto
e esqueceram toda a linguagem
tropeçam no asfalto dos dias
à espera do esquecimento dos versos

nos teus olhos ousei escrever
o poema
que as minhas mãos escondiam,
para que os versos não se percam
nas curvas sem rosto,
nem resvalem sem rumo
nas rectas infinitas
por fora de ti

tudo me disseste...
em quase tudo acreditei...

[acaso saberemos nós a medida certa do corpo
algures entre a explosão do sangue
e a erosão do coração?]

by outrosEncantos & JorgePimenta


by Astrid Riecken