Astrid Riecken
Estar só é estar no intimo do mundo
entre sons
minuciosos que inclinam
a atenção
para uma cavidade mínima
E estar
assim tão breve e tão profundo
como no
silêncio de uma planta
é estar no
fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura
de um sono que nos dá
a cintilante
substância do sítio
O mundo
inteiro assim cabe num limbo
e é como um
eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar
ondeia entre minúsculas luzes
E é astro
imediato de um lúcido sono
fluvial e um
núbil eclipse
em que estar
só é estar no íntimo do mundo
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