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outubro 16, 2011
O CEGO DAS ESQUINAS
- Digo-te a bruma coada na cidade, para
extase do porvir. Incito-te ao
levantamento do chão onde adormecem
lábios e pedras em murmúrios e salivas -
só para te ver transgredir as pautas.
- Eu digo-te uma luz ao fundo, protegida
por sombras e sons, numa campânula de
pedras em arco.
- Repara no cego.
- Repara no cão.
- Quando chega a casa - imagino um
cubículo de madeira - o cego das
esquinas mergulha as mãos no saco das
bofetadas, retira-as para o tampo da
mesa e conta o abandono a que o
votaram em cada moeda coitadinha.
É o cego das esquinas.O tempo de
rastos.
- Quem anda a montar o tempo?
- São os donos dos prédios altos que
fazem esquinas para os cegos.
- São os fazedores de cegos, os
os vendedores de concertinas.
by: MarArável
http://mararavel.blogspot.com
setembro 27, 2011
AS PRIMEIRAS CHUVAS
DESPONTA SETEMBRO
NESTE JARDIM DE DESASSOSSEGOS
OUTROS CÉUS
PÁSSAROS
E CORES
MAS SÓ NOS TEUS BRAÇOS
EM FLOR, ADORMECEM
AS PRIMEIRAS CHUVAS
VICEJAM AINDA TÍMIDOS
OS RELÂMPAGOS
À SOMBRA DAS ROMÃS
E JÁ É TANTO
by MarArável
julho 14, 2011
O FIM DA TARDE
by Eduardo Arguelles
quando nos mastros mais altos
das escarpas
as bandeiras em desassossego
caminhavam sibililinas
por uma nesga de sol
tu eras um rio
contra a vontade das águas
a desaguar
margens
pássaros
barcos
sedimentos
à procura de uma nova expressão
para todos os azuis
ainda hoje não te descobri
mas estou a ver-te aqui dos mastros
tão infinita
sentada no cais
um dia vou encontrar-te
antiga
olhos hasteados
a construir o fim da tarde
by MarArável
http://mararavel.blogspot.com/
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