outubro 16, 2011
O CEGO DAS ESQUINAS
- Digo-te a bruma coada na cidade, para
extase do porvir. Incito-te ao
levantamento do chão onde adormecem
lábios e pedras em murmúrios e salivas -
só para te ver transgredir as pautas.
- Eu digo-te uma luz ao fundo, protegida
por sombras e sons, numa campânula de
pedras em arco.
- Repara no cego.
- Repara no cão.
- Quando chega a casa - imagino um
cubículo de madeira - o cego das
esquinas mergulha as mãos no saco das
bofetadas, retira-as para o tampo da
mesa e conta o abandono a que o
votaram em cada moeda coitadinha.
É o cego das esquinas.O tempo de
rastos.
- Quem anda a montar o tempo?
- São os donos dos prédios altos que
fazem esquinas para os cegos.
- São os fazedores de cegos, os
os vendedores de concertinas.
by: MarArável
http://mararavel.blogspot.com
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as tuas metáforas são brilhantes, Mar!
ResponderEliminarbeijo.
Ainda bem que gostas
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