sim,
atira-me ao fundo do mar
como quem beija,
todo o tecido pede violência
para medir a resistência.
quero os teus pulsos
de guelras temperados em sangue negro.
um dia, cordão de açucar,
no outro, lábio de voo plano.
desejo as tuas mãos
de óleo com escamas na pele
a escorrer precipícios trágicos
sobre a trajectória dos peixes.
sim,
ata-me às rochas do mar
como quem ama
prende-me com algas
mesmo que a eternidade se escreva com cinzas
dispersas pelo vento
algures entre os trilhos do sangue aceso por dentro
e os pés que tropeçaram nas botas e no caminho.
se todo o amor fica incompleto
na estreiteza do corpo
e os lábios adormecem
na contracapa da noite
para quê recordar as cartas recebidas?
as palavras são apenas ossos brancos
a apodrecer no negativo fotográfico
com que um dia ousamos
fotografar a melancolia dos rostos.
by: JorgePimenta
