maltratámos as palavras com rugas
embrulhadas nas raízes
das nossas bocas
e o verso foi cedendo ao metal liquido da forja
entre o ventre do vulcão e o fogo.
nem os pardais da beira-costa
escaparam à sua pólvora:
afogaram o mar
esqueceram o olhar
e depuseram as asas aos pés de um sono antigo
como se a morte fosse a resposta
para todas as perguntas que não soubemos formular.
estremece-nos nos pés o rugido da lava
na composição do poema-mar.
ah, ao lixo as palavras mal-ditas
que as asas dos pássaros acordaram
[os olhos querem-se cegos na liberdade do vôo]
e a morte é o orgasmo da alma
na nova alvorada dos sentidos.
finas, metálicas, insidiosas:
para que servem as palavras
se há tão pouco a dizer?
by OutrosEncantos & JorgePimenta
Björk & Thom York, i'seen it all

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