junho 28, 2011

DISPAROS DE PALAVRAS SECAS SOBRE A PÓLVORA VULCÂNICA DA BOCA


by Kristin Linder


maltratámos as palavras com rugas
embrulhadas nas raízes
das nossas bocas
e o verso foi cedendo ao metal liquido da forja
entre o ventre do vulcão e o fogo.

nem os pardais da beira-costa
escaparam à sua pólvora:
afogaram o mar
esqueceram o olhar
e depuseram as asas aos pés de um sono antigo
como se a morte fosse a resposta
para todas as perguntas que não soubemos formular.

estremece-nos nos pés o rugido da lava
na composição do poema-mar.
ah, ao lixo as palavras mal-ditas
que as asas dos pássaros acordaram
[os olhos querem-se cegos na liberdade do vôo]
e a morte é o orgasmo da alma
na nova alvorada dos sentidos.

finas, metálicas, insidiosas:
para que servem as palavras
se há tão pouco a dizer?

by OutrosEncantos & JorgePimenta



Björk & Thom York, i'seen it all

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