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maio 11, 2013

ENQUANTO LONGE DIVAGAS






I

Enquanto longe divagas
E através de um mar desconhecido esqueces a palavra
- Enquanto vais à deriva das correntes
E fugitivo perseguido por inomeadas formas
A ti próprio te buscas devagar
- Enquanto percorres os labirintos da viagem
E no país de treva e gelo interrogas o mudo rosto das
[sombras 
- Enquanto tacteias e duvidas e te espantas
E apenas como um fio te guia a tua saudade da vida
Enquanto navegas em oceanos azuis de rochas negras
E as vozes da casa te invocam e te seguem
Enquanto regressas como a ti mesmo ao mar
E sujo de algas emerges entorpecido e como drogado
- Enquanto naufragas e te afundas e te esvais
E na praia que é teu leito como criança dormes
E devagar devagar a teu corpo regressas
Como jovem touro espantado de se reconhecer
E como jovem toiro sacodes o teu cabelo sobre os olhos
E devagar recuperas tua mão teu gesto
E teu amor das coisas sílaba por sílaba 
II 
O meu amor da vida está paralisado pelo teu sono
É como árvore no ar veloz detida 
Tudo em mim se cala para escutar o chão do teu regresso 
III 
Pois no ar estremece a tua alegria
- Tua jovem rijeza de arbusto – 
A luz espera teu perfil teu gesto
Teu ímpeto tua fuga e desafio
Tua inteligência tua argúcia teu riso 
Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso

Sophia de Mello Breyner



fevereiro 14, 2012





Quero
Nos teus quartos forrados de luar
Onde nenhum dos meus gestos faz barulho
Voltar.
E sentar-me um instante
Na beira da janela contra os astros
E olhando para dentro contemplar-te,
Tu dormindo antes de jamais teres acordado,
Tu como um rio adormecido e doce
Seguindo a voz do vento e a voz do mar
Subindo as escadas que sobem pelo ar.

by: SophiaMelloBreynerAndresen
imagem: Jean-ClaudeDesplanques


maio 28, 2011

COMO UMA FLOR VERMELHA



À sua passagem a noite é vermelha,
e a vida que temos parece
exausta, inútil, alheia.

Ninguém sabe onde vai, nem de onde vem,
mas o eco dos seus passos
enche o ar de caminhos e de espaços
e acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
e o desconhecido cresce
como uma flor vermelha.

by SophiadeMelloBreyner

maio 14, 2011

AS ROSAS

Martha Graham

Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.

by: SophiaDeMelloBreynerAndresen