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junho 25, 2011

A MÁSCARA



Pinto no rosto tonalidades de júbilo em festa
Entre rios vermelhos que nascem nos meus olhos
Perante sulcos do tempo impiedoso
Como se a loucura fosse servida aos molhos

Abrem-se as pupilas recebendo a tristeza
Sem pedir licença para entrar
Invade-me peremptória e permanece
Instala-se imperiosa e inevitável no meu contemplar

Que abatimento é este que me invade
Que anseio é este de me enclausurar na sombra em permanência
Que aperto na garganta me altera as feições do rosto
Vibrando noutro tempo e lugar num esgar de ausência
Entre o amortecer em remanso qual criatura insana
Longe do vómito em que se tornou
Este sobreviver da existência humana

Pobres de nós ignorando o portal de acesso
Ao pleno amor como luz e consciência
As ciladas cruéis do ego vaidoso, convicto intolerante
Que nem se apercebe da demência

Cada riso contraria esta alma isolada
Por sentir que as demais criaturas
São apenas estranheza
Artimanhas e enredos
Teatralidades personagens inventadas
Por traumas e medos
Porque nesta esfera de breu
Já não sei se sou eu que forjo o mundo
Ou se a eterna manipulada sou eu!

by LuzEfémera