novembro 13, 2012

DE PROFUNDIS AMAMUS



fonte: http://asfolhasardem.wordpress.com/

Ontem 
às onze 
fumaste 
um cigarro 
encontrei-te 
sentado 
ficámos para perder 
todos os teus eléctricos 
os meus 
estavam perdidos 
por natureza própria 

Andámos 
dez quilómetros
a pé 
ninguém nos viu passar 
excepto 
claro 
os porteiros 
é da natureza das coisas 
ser-se visto 
pelos porteiros 

Olha 
como só tu sabes olhar 
a rua os costumes 

O Público 
o vinco das tuas calças 
está cheio de frio 
e há quatro mil pessoas interessadas 
nisso 

Não 
faz mal abracem-me 
os teus olhos 
de extremo a extremo azuis 
vai ser assim durante muito tempo 
decorrerão muitos séculos antes de nós 
mas não te importes 
não te importes 
muito 
nós só temos a ver 
com o presente 
perfeito 
corsários de olhos de gato intransponível 
maravilhados maravilhosos únicos 
nem pretérito nem futuro tem 
o estranho verbo nosso 

by: Mário Cesariny



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