by Duy Huynh
A MOMENT OF NOISE
o Sol aceso sobre a página do caderno onde escrevo. os lençóis do vento batem nas folhas das árvores, e ouço as letras da primavera balouçarem no campo das mesas. vivem na força do poema que passa rápido. não consigo projectá-lo na voz de fora. não importa.
deixo-me inundar pelas suas águas. que nascem de uma falta.
o poema passa como expressão de um círculo com outros círculos dentro. libertar-se do centro é o seu movimento. encontrar -se no texto com a poeira da voz. escrevo cópias dele em toda a parte.
a criança deitada na noite, que chora, procura-lhe as mãos, a boca do espaço, uma voz sem voz, a palavra, pela gravidade da sombra que o cerca, a metáfora.
nelas repousam as imagens . reflectem no brilho da escrita a potência criadora da tinta. os gestos .
e pela primeira vez o poema fala.
o corpo sente a sua voz intocável pela distribuição das águas.
há rosas subtis que o texto vem procurar em nós.
como disse Rilke,
o que faz a sensualidade mais alta é a distribuição da luz.
by MariaAzenha
http://estrelasegalaxias.blogspot.com/

...eis um poema que fala, eis um poema que grita dentro da gente, eis um poema que cala.
ResponderEliminar...mas que escolha maravilhosa, pianíssima!
IMENSO abraço!
gostei TANTO de ter-te aqui, Rejane.
ResponderEliminarobrigada!
no IMENSO abraço!