sim,
atira-me ao fundo do mar
como quem beija,
todo o tecido pede violência
para medir a resistência.
quero os teus pulsos
de guelras temperados em sangue negro.
um dia, cordão de açucar,
no outro, lábio de voo plano.
desejo as tuas mãos
de óleo com escamas na pele
a escorrer precipícios trágicos
sobre a trajectória dos peixes.
sim,
ata-me às rochas do mar
como quem ama
prende-me com algas
mesmo que a eternidade se escreva com cinzas
dispersas pelo vento
algures entre os trilhos do sangue aceso por dentro
e os pés que tropeçaram nas botas e no caminho.
se todo o amor fica incompleto
na estreiteza do corpo
e os lábios adormecem
na contracapa da noite
para quê recordar as cartas recebidas?
as palavras são apenas ossos brancos
a apodrecer no negativo fotográfico
com que um dia ousamos
fotografar a melancolia dos rostos.
by: JorgePimenta
quis um dia que a palavra fizesse a síntese de todas as coisas, mas ela negou-se; segredou-me que, sendo ela conceptualmente uma coisa também, não estaria em condições de o poder cumprir. percebi, então, que cada palavra, cada verso, cada poema e cada mão artesã constroem apenas uma só verdade, mesmo adivinhando nós a universalidade do canto.
ResponderEliminarcomoves-me adoptando algumas verdades minhas.
um beijinho, amiga-de-todos-os-encantos!
Boa escolha.
ResponderEliminarQuerida amiga, bom fim de semana.
Beijo.
encanto-de-amigo
ResponderEliminar... é que algumas verdades tuas, curiosamente, são também minhas :)
obrigada, por me deixares adoptá-las:)
beijinho, amigo meu
BARCELLI
ResponderEliminar... no fundo do mar, ou eu!
este poema é belissimo!
beijo, querido amigo.
fim de semana feliz.